“Alô. Aqui é da Polícia Militar. Sua tornozeleira eletrônica está descarregando. Carregue imediatamente”. Esse é o recado que o cabo PM Luanque dos Santos costuma mandar por telefone, de dentro do Centro de Operações da PM de São Paulo, a homens tornozelados por violência contra a mulher. Além da mensagem direta ao agressor, o recado é um exemplo de como as forças de segurança em São Paulo atuam para garantir que medidas protetivas em defesa da mulher sejam cumpridas e uma demonstração do monitoramento 24h de possíveis violações. E a tecnologia tem sido uma das principais aliadas para fazer valer a defesa da mulher enquanto política pública no estado.
A evolução dos serviços de proteção à mulher é tema da série de reportagens 40 Anos de Proteção às Mulheres, produzida pela Agência SP neste Agosto Lilás para relembrar os 40 anos de inauguração da primeira Delegacia de Defesa da Mulher do Brasil. A agência de notícias oficial do Governo de São Paulo completa um ano neste mês, quando se promove também o Mês de Conscientização e Combate à Violência contra a Mulher.
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“Em São Paulo, a tecnologia tem sido nossa grande aliada na defesa da mulher. Com tornozeleiras eletrônicas de georreferenciamento, monitoramos agressores em tempo real, as cabines lilás oferecem atendimento imediato, e o app SP Mulher Segura conecta cada mulher à rede de proteção do Estado com rapidez e autonomia. Juntas, essas soluções reforçam nosso compromisso com a segurança e a dignidade de todas”, diz a secretária estadual de Políticas para a Mulher, Valéria Bolsonaro.
Entre os avanços que marcam os 40 anos de Proteção às Mulheres em SP, uma das iniciativas mais destacadas é o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores com medidas protetivas em vigência. Atualmente, 155 suspeitos na capital são rastreados 24 horas pelos sistemas da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). Violações são respondidas com acionamento imediato da Polícia Militar e contato direto com a vítima, o que já resultou na prisão de 55 agressores até junho de 2025.

Integrado ao monitoramento, o aplicativo SP Mulher Segura, lançado em março de 2024, reúne diversas funcionalidades digitais. Além do botão do pânico, que foi acionado mais de 900 vezes em um ano desde o lançamento, a plataforma possibilita a emissão de boletim de ocorrência online (mais de 800 registros em doze meses) e cruzamento automático da geolocalização da vítima com a do agressor monitorado por tornozeleira. Em situações de risco, o Centro de Operações (Copom) é acionado e viaturas se deslocam imediatamente.
Durante décadas, mulheres vítimas de violência em São Paulo enfrentavam filas de horas, falta de privacidade e, muitas vezes, precisavam repetir histórias dolorosas a policiais sem preparo específico. É o que conta Rosmary Corrêa, primeira delegada da primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e atual presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina. Segundo ela, a busca por ajuda esbarrava na burocracia e na limitação estrutural, deixando muitas sem acolhimento adequado ou proteção imediata.
“Na maioria das vezes, ou a mulher não ia (à delegacia), pelo constrangimento, ou ela ia e não tinha o acolhimento necessário daquele caso”, lembra Rosmary. “Nós tivemos 500 mulheres em uma fila aguardando o atendimento. Quando nós chegamos e olhamos aquilo, olhamos umas para as outras sem saber como atender à ânsia daquelas mulheres”. Hoje, graças a um conjunto de inovações tecnológicas aliado a políticas públicas, esse caminho ganhou novos contornos: o acesso ficou mais ágil, seguro e próximo, tornando a denúncia menos dolorosa e mais efetiva.
Para Adriana Liporoni, delegada responsável pelas DDMs no estado, a importância dessas inovações garante mais segurança e apoio às mulheres: “Hoje, o Estado de São Paulo conta com uma série de ferramentas importantes para proteger e acolher as mulheres vítimas de violência. A segurança, conforto e agilidade oferecidos pela tecnologia permitem que a mulher encontre auxílio no momento em que mais necessita e que ela saiba que não está sozinha nessa trajetória.”
Outro avanço significativo são as Salas DDM Online, que funcionam 24 horas em 164 delegacias de plantão: 100 delas criadas a partir de 2023, crescimento de 156%. Esses espaços permitem que mulheres, mesmo longe de uma DDM física, registrem ocorrência, solicitem medidas protetivas e recebam apoio humanizado e orientação especializada por videoconferência com profissionais capacitados. Além disso, são 142 sedes de DDMs em todo o estado. Destas, 18 possuem atendimento 24h, sendo 8 na Região Metropolitana de São Paulo e 10 no interior.
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A Delegacia Eletrônica também ampliou o alcance da proteção: em cinco meses neste ano, o aumento de boletins de ocorrência sobre violência contra a mulher registrados online foi de 8,3%, na comparação com o período entre janeiro e maio de 2024 (passou de 23,2 mil para 25,1 mil). O uso dessas plataformas dá às vítimas mais confiança ao buscar ajuda digitalmente, sem precisar se deslocar até uma delegacia.
A criação da Cabine Lilás dentro do Centro de Operações da Polícia Militar trouxe acolhimento especializado: policiais mulheres, treinadas especificamente para atender casos de violência de gênero, realizaram 2,2 mil atendimentos desde 2024.
“Muitas mulheres têm dificuldade de deslocamento até uma delegacia. Antes, você tinha que se dirigir até uma delegacia para fazer ocorrência. Hoje, você ter a tecnologia a favor dessa denúncia é de uma praticidade e de uma importância muito grande”, afirmou a cabo PM Tatiane Lopes, que atende mulheres na Cabine Lilás na sede do Copom. “A tecnologia veio contribuir para a defesa da mulher e, quanto mais ela puder ter acesso a esse tipo de praticidade, melhor.”
Em janeiro de 2025, foi assinado um convênio entre a Secretaria de Segurança Pública, a Secretaria de Políticas para a Mulher e a empresa 99 para permitir que mulheres vítimas de violência doméstica atendidas pela Cabine Lilás tenham deslocamentos gratuitos, subsidiados pela plataforma. As vítimas poderão solicitar às atendentes um voucher para o transporte até um posto de serviço, como uma DDM ou o Instituto Médico Legal. A PM acompanha a corrida em tempo real e, em casos de urgência, deslocará uma viatura para prestar apoio. Até junho deste ano, foram realizadas 179 viagens.
Os casos de feminicídios reduziram no primeiro semestre do ano nas cidades do interior de São Paulo. Entre janeiro e junho, as Delegacias de Defesa da Mulher investigaram 70 crimes — dez feminicídios a menos que o mesmo período do ano passado. As denúncias de estupros registradas em todo o estado reduziram 16,2% em junho, com 1.035 boletins de ocorrência. Só na capital, a redução foi de 19,5% na comparação com junho de 2024.
Outro destaque é o Protocolo Não se Cale, implantado em parceria com aplicativos de mobilidade, que capacitou mais de 75 mil motoristas para prestar apoio imediato a passageiras em situação de risco ou assédio durante corridas.
Com apoio do programa SP Por Todas, que coordena e amplia essas políticas, os resultados começam a aparecer em números concretos: as salas DDM Online cresceram 164,5% em dois anos; medidas protetivas aumentaram 41,7% no mesmo período; e os registros de boletins eletrônicos continuam em alta.
Outro avanço tecnológico é a parceria inédita da SSP-SP com aplicativos de mobilidade, inserindo o Protocolo Não se Cale. Motoristas recebem treinamento para prestar apoio imediato a passageiras em situação de assédio, ampliando a rede de proteção móvel da mulher. Dentro dos apps, os usuários são impactados por mensagens breves, simples e didáticas sobre a segurança feminina, além de acesso a conteúdos completos e gratuitos disponíveis em sites oficiais do governo e das empresas parceiras.
O movimento SP Por Todas reúne em seu site oficial essas e outras iniciativas e políticas públicas em defesa da mulher. A iniciativa do governo estadual tem o objetivo de ampliar a visibilidade da rede de proteção, acolhimento e autonomia profissional e financeira para elas. Mais informações em www.spportodas.sp.gov.br.

SP POR TODAS
O SP Por Todas é um movimento promovido pelo Governo do Estado de São Paulo para ampliar a visibilidade das políticas públicas para mulheres, bem como a rede de proteção, acolhimento e autonomia profissional e financeira para elas. Essas frentes estão nos pilares da gestão e incluem soluções como o lançamento do aplicativo SPMulher Segura, que conecta a polícia de forma direta e ágil caso o agressor se aproxime; e a criação de novas salas da Delegacia da Defesa da Mulher 24 horas. Mais informações www.spportodas.sp.gov.br.
