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Ouro com o apoio do Time SP, medalhista paralímpico sonha com novo recorde mundial em Los Angeles

Conheça a história de Júlio César Agripino, atleta do Time SP que foi destaque nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024

Dono do novo recorde mundial nos 5 mil metros na classe T11 (deficiências visuais) e com uma medalha de ouro na bagagem vinda da Paralimpíada de Paris, Júlio César Agripino, 33 anos, comemora os bons resultados e lembra de momentos difíceis antes da competição em entrevista exclusiva à Agência SP.

Agripino faz parte desde 2017 do Time SP, programa do Governo de São Paulo que investe em atletas de alto rendimento. “O Time SP me deu toda a condição para conseguir me manter no esporte, ir atrás dos melhores equipamentos e da melhor estrutura. Ele dá condição para minha família ficar tranquila e eu poder correr e entregar meu melhor nas competições.”

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O atleta revela ter sofrido uma torção no tornozelo enquanto estava na região francesa de Font-Romeu, em preparação para a competição. Diante disso, seu fisioterapeuta recomendou que ele ficasse sete dias afastado das pistas.

Por conta de inchaços, Agripino optou por usar sua sapatilha antiga nos treinos. “Eu tinha uma que estava mais surrada e abrindo. Eu usei a velha, corri esse risco, competi com ela, me adaptei e me superei. Foi preciso ser resiliente e forte”, conta o medalhista.

A história antes da glória

Júlio César Agripino foi diagnosticado com ceratocone, doença degenerativa na córnea, aos sete anos. Antes disso, ele já era atleta convencional do atletismo. Ele deu seus primeiros passos no atletismo em um campo de futebol no bairro Jardim São Marcos, na periferia de Itapecerica da Serra.

A entrada definitiva de Júlio César no paradesporto só ocorreu em 2016. “Passei por um processo bem doloroso. Muita gente me ajudou, mas principalmente minha esposa foi meu alicerce nessa adaptação e reabilitação. Eu agradeço muito a essa oportunidade”, diz.

Ele já foi ouro nos 1.500 metros e prata nos 5.000 metros no Mundial de Kobe neste ano de 2024. Em Paris, ele também conquistou o bronze nos 1.500 metros.

Homenagem ao avô

Após a conquista do ouro em Paris 2024, Júlio César dedicou a vitória a seu avô. A homenagem, porém, veio com uma coincidência que abalou Júlio. Ao retornar para São Paulo, de Paris, o atleta recebeu a notícia de que seu avô havia falecido. “Queria ter tido ele perto de mim para curtir isso comigo, mas sei que lá do céu ele olhou por mim. Dedico essas medalhas a ele.”

Outro obstáculo que o atleta paralímpico teve que superar foi a perda de um fisioterapeuta amigo seu. “Ele disse que eu ia trazer dois pedaços da Torre Eiffel para cá. Foi o que aconteceu. Ele cuidou muito de mim e foi sensacional na minha vida.”

Preparo mental

Paris 2024 não foi a primeira edição dos Jogos Paralímpicos em que Júlio César participou. Ele também competiu no Rio de Janeiro, em 2016, e em Tóquio, em 2020. No entanto, saiu de lá sem nenhuma medalha.

Júlio César Agripino e seu guia em prova de atletismo. Foto: Alexandre Schneider/CPB

Para essa última edição, ele conta que um dos segredos foi a confiança que ele desenvolveu no preparo mental. Na recuperação da entorse, ele pensou: “Agora é o ano, é o momento, vai dar tudo certo. Estou na minha melhor performance e meu mental está sensacional. Nós chegamos muito confiantes em Paris”.

Júlio César conta com acompanhamento psicológico desde 2022. “É algo que eu decidi investir muito, porque era onde eu estava pecando. Precisei aprender em duas Paralimpíadas como era importante o trabalho mental”. Além de treinador e guia, a equipe de Júlio conta com uma psicóloga e um coach.

Plano para o futuro

Mesmo de férias após os Jogos Paralímpicos de Paris, o paratleta já quer voltar a correr e pensa no futuro. Sua próxima meta é Los Angeles 2028, onde ele espera que o Brasil quebre mais recordes. Paris 2024 foi a edição de Paralimpíadas que o Brasil mais conquistou medalhas: foram 89 no total. 40% dos medalhistas brasileiros vieram do Time SP.

“Estou muito focado, ainda mais com essa expansão do Time SP, que quer melhorar cada vez mais as condições para o atleta. Isso é fundamental. Não quero parar por aí, apenas comecei. Levei anos da minha vida para conquistar os meus sonhos, mas tive muitos aprendizados. A palavra que eu deixo é resiliência.”