O Programa Alfabetiza Juntos SP, do Governo de São Paulo em parceria com os municípios, avança para garantir que todas as crianças sejam alfabetizadas na idade certa. A iniciativa conta com uma série de ações que envolvem a formação de professores, avaliações e materiais didáticos. Entre as atividades implementadas está o uso da plataforma de leitura Elefante Letrado, que oferece cerca de 500 livros acessíveis a alunos de todos os níveis da etapa de alfabetização.
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Aos 7 anos de idade, Sofia Barbosa Moretti comemora uma conquista que mudou a dinâmica da sua casa. Agora, é ela quem lê para a mãe, para a irmã mais velha e para os avós. “Só faltava eu para saber ler na minha família”, conta a aluna do 2º ano da Escola Estadual Paulo Monte Serrat, na zona leste da capital. O hábito, que antes dependia da mediação da mãe, hoje se transformou em um momento de autonomia e descoberta.

No 1º ano da mesma escola, Lucas Pereira Vilela, de 6 anos de idade, ainda está no processo de alfabetização, mas já tem planos para o futuro. Ele quer aprender a ler para entender melhor seus jogos e realizar o sonho de ser médico. “Quero ser cardiologista porque quero cuidar do coração de todo mundo”, diz. A inspiração vem da família: “A vovó falou que, quando estiver com o coração ruim, quer que eu cuide dela”.

Histórias como essas mostram um movimento que vem ganhando força dentro da escola, que caminha para atingir os 90% de alunos leitores ao final do 2º ano do Ensino Fundamental, meta da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Ao final de 2025, a escola registrou 78,9% de alunos leitores iniciantes e fluentes, conforme os resultados da Avaliação da Fluência Leitora.
Para a diretora da unidade, professora Gislaine Beccarini, o monitoramento a partir da Avaliação da Fluência Leitora — aplicada duas vezes ao ano —, além de testes semelhantes dentro da plataforma Elefante Letrado, permite com que a escola identifique dificuldades específicas de forma mais rápida e estabeleça atividades de recomposição de aprendizagem entre professores de sala de aula e docentes que atuam como professores tutores e de ensino colaborativo: “O sistema funciona como uma ‘peneira’ que localiza alunos sem fluência”.
Como funciona a Avaliação da Fluência Leitora
Utilizando um aplicativo do CAEd (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação), os professores gravam a leitura de palavras e textos, com o objetivo de identificar possíveis lacunas no processo de alfabetização. São observados o entendimento de palavras, palavras desconhecidas e textos adequados à etapa escolar, a partir da habilidade, fluidez e ritmo de leitura.
O app grava a leitura dos alunos e agiliza o acesso aos resultados. Este é o primeiro ano que todos os 645 municípios paulistas têm seus estudantes avaliados nas duas edições da Fluência Leitora, aplicadas no primeiro e agora, no segundo semestre.
São consideradas leitoras fluentes as crianças que conseguem ler entre 45 e 60 palavras corretamente no decorrer de um minuto, entre 28 e 40 palavras desconhecidas e atingem 97% de precisão na leitura de palavras existentes em um texto.
Na escola Paulo Monte Serrat, conta a diretora Gislaine, o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes é constante, e a escola implantou outra atividade para evolução dos estudantes: “Nós organizamos pequenas apresentações de jornais, como se eles estivessem na TV lendo um teleprompter, mas estão lendo o que está escrito no celular, computador ou tablet. Assim, quando eles chegam na Avaliação da Fluência Leitora, estão ambientados com uma situação semelhante e não ficam tão nervosos na hora da leitura”.
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Para a professora do 2º ano da escola, Aline Cristina Rocha, as ferramentas digitais e os estudos do CAEd agregaram ao processo de alfabetização. “No começo do ano, eles estão lendo várias palavras e frases pequenas. Até o fim do ano, já leem livros inteiros com autonomia”, afirma.
Aline, que atua na fase de alfabetização há 12 anos, diz que o Alfabetiza Juntos SP trouxe mudanças para a sua atuação como professora: “As novas ferramentas exigem que o professor reflita sobre sua prática e evolua, superando o que aprendeu no início da carreira”.
Reconhecimento nacional e internacional
O programa da Secretaria da Educação apoia municípios e escolas estaduais com materiais integrados ao Currículo Paulista e formação para mais de 60 mil professores.
A iniciativa possui reconhecimento internacional da Unesco, baseada no modelo CARE-KNOW-DO (Cuidar, Saber e Fazer), que valida estratégias de alfabetização baseadas em evidências. Recentemente, o programa também recebeu o Selo Ouro no Compromisso Nacional pela Alfabetização, concedido pelo Ministério da Educação (MEC).